segunda-feira, 9 de junho de 2008

Reserva Botânica de Cambarinho


Foto: Reserva Botânica de Cambarinho, Vouzela
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Já há diversos anos sabia da existência da Reserva Botânica de Cambarinho. Como utente do IP5, actual A25, ofuscado pelos eucaliptos australianos que lamentavelmente reinam na zona, durante anos a fio passei com desprezo a seu lado. Finalmente surgiu a oportunidade de a visitar e também o lamento de só agora o ter feito.
De olhos escancarados e boca aberta, de espanto entenda-se, descobri o vale encantado da ribeira do Cambarinho e do rio Alcofra. Filo quase cem anos após a ciência ter descoberto os primeiros rododendros na zona. Ironicamente eles já lá estavam há dois milhões de anos, desde o Terciário. Os rododendros (Rhododendron ponticum ssp baeticum) são conhecidos localmente como loendros, o que tem causado alguma confusão dado ser este também o nome comum pelo que é conhecida a espécie Nerium oleander, bastante mais vulgar no nosso país.
Os rododendros distribuem-se ao longo das linhas de água. Ocupam zonas bastante húmidas povoadas de fetos e musgos, mas não encharcadas, sendo especialmente exuberantes quando constituem o sub-bosque dos carvalhais (carvalho negral ou roble) aí existentes.
A nível mundial, a maioria das espécies de Rhododendron habita zonas pluviosas de clima sub-tropical, principalmente no maciço dos Himalaias. O Rhododendron ponticum outrora proliferava em vastas extensões da Europa. Actualmente encontra-se apenas em núcleos residuais do Sudeste Europeu e parte da Ásia Menor (Rhododendron ponticum ssp ponticum), bem como na Península Ibérica - Serra do Caramulo, Serra de Monchique e em Cadiz, Sul de Espanha (Rhododendron ponticum ssp baeticum).
A Reserva Botânica de Cambarinho, verdadeiro paraíso, vale pelo conjunto de espécies botânicas nativas que encerra. Merece a pena uma visita a este vale encantado, especialmente em Maio, princípios de Junho, época de floração dos rododendros. Possui um percurso pedonal devidamente sinalizado com informações relativas ao património natural e arqueológico que encerra.
Quanto ao futuro, seria bom que se procedesse à construção de um Centro Interpretativo que satisfizesse a curiosidade dos amantes da natureza, especialmente fora da época de floração dos rododendros. Quanto às árvores exóticas que a reserva possui no seu interior, deveriam ser erradicadas. Refiro-me aos eucaliptos, bem como a alguns pés de carvalho americano e liquidambar que embora plantados com boas intenções aí aparecem desenquadrados.
Rafael Carvalho / Jun2008

3 comentários:

Dylan disse...

Muito bem.

Rafael Carvalho disse...

Obrigado!

Dylan disse...

Acabei de fazer um artigo sobre este tesouro...